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Rudá Moura

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Feliz 5º Aniversário Rudix! [Aug. 22nd, 2010|10:54 am]
Rudá Moura
Porto Alegre, RS, Brasil, 22 de Agosto de 2010. O sistema de empacotamento e distribuição de software Rudix faz 5 anos de existência.


Ainda me lembro dos primeiros dias do Rudix, sentando à frente do meu iBook, elaborando os primeiros Makefiles de receitas dos primeiros pacotes. É, o tempo passou rápido!

Conforme o nome sugere, Rudix é egocentricamente a junção de meu nome (Rudá) com o termo Unix, igual ao que fez o Linus Torvalds, com o Linux. Se ele pode faz isso, por que eu não posso? :)

Originalmente o Rudix seria a mais perfeita distribuição Linux jamais feita em toda a história da humanidade. Mudei de sistema operacional, de Linux para Mac OS X, e percebi que alguns softwares não estavam disponíveis. Por exemplo, o wget não vem por padrão no Mac.

Procurei por soluções que me entregassem o wget compilado, mas não gostei do que vi, pois mantinham as complicações de empacotamento herdadas do Linux. Resolvi fazer um sistema mais simples, de forma que eu pudesse aplicar o que tinha aprendido com o Linux em meu Mac. Foi nesse momento que (re-)batizei o projeto de Rudix.

O que é o Rudix?

O Rudix consiste de duas partes, uma sistema de construção e empacotamento de software, que é chamado de port system ou build system, essa parte é geralmente reservada aos desenvolveres, mas na primeira versão do Rudix (2005r1) foi a única entregue ao usuário.

A outra parte do Rudix são os softwares previamente compilados e empacotados para distribuição, e é isso que muita gente procura e que rendeu popularidade ao Rudix. Costumo distribuir o Rudix como “pacotão”, em que todos os softwares podem ser instalado todos de uma vez, o pacotão já foi baixando mais de 3.000 vezes na versão 2010. Opcionalmente o Rudix permite instalar os pacotes individualmente, por exemplo, o Midnight Commander é o campeão de downloads individuais com 1.000! downloads, seguido pelo wget.

O Diferencial

Mas o que diferencia o Rudix dos outros sistemas? O Rudix procura manter fidelidade aos padrões de comportamento que o Mac OS X exige. Primeiro, os softwares são instalados como pacotes (.pkg no Mac) independentes e auto-suficientes. Isso quer dizer que não existe dependências de outras bibliotecas, a não ser as nativas do próprio Mac.

O Rudix nunca substitui os componentes originais do Mac e não “contamina” a instalação original. Procuro manter a instalação dos pacotes dentro do consagrado diretório /usr/local/, em vez de inventar uma opção maluca, como /opt/rudix/.

Por manter o jeito “Mac OS X friendly” de ser, acredito que o Rudix tem um espaço garantido para um público exigente mas ao mesmo tempo, que não gosta de perder muito tempo pensando em dependências e compilações.

Certamente 5 anos é um marco importante para o projeto. Vida longa o Rudix!

Curiosidades

As versões estáveis do Rudix estão hospedadas no SourceForge, e o projeto está em desenvolvimento no Google Code.
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WindowMaker [Aug. 1st, 2010|12:46 pm]
Rudá Moura

No ano 2000, o meu trabalho na Conectiva exigia utilizar o Linux com as ferramentas de compilação e desenvolvimento, por conta disso, me sentia confortável em apenas trabalhar no modo texto. Com o surgimento de idéias interessantes na Web, eu tive que fazer a transição de trabalhar no console para o modo gráfico.

Foi apenas com o WindowMaker é que eu cai no gosto de usar o Linux gráfico e colorido. O WindowMaker é um gerenciador de janelas para o X e foi desenvolvido pelo Alfredo Kojima, que tive a honra de trabalhar na Conectiva e ainda hoje mantemos contato no #d00dz do Freenode.

O WindowMaker procura imitiar graficamente o comportamento do ambiente NextStep, seguindo a linha dos anos 90, os componentes são quadrados, e usam cores escuras, como preto e cinza escuro, além do fundo padrão (que pra mim é) roxo. Para quem não sabe, o NextStep evoluiu para o que é o Mac OS X hoje.

Curtia o Dock do WindowMaker, que é aonde se dispara os aplicativos mais usados. No Dock é possível ter inúmeros mini-aplicativos encarcerados como mini janelas, tal como o clássico medidor de CPU, memória e rede.



O menu de aplicações e de controle era suspenso e obviamente não era fixo como em outros ambientes, algo legal num desktop 800x600 ou 1024x768 porque liberava espaço para a janela do aplicativo principal que querias rodar, como por exemplo, o navegador Netscape.

O WindowMaker é fácil de usar só que é muito diferente do comportamento do Windows e talvez por isso, não fosse muito popular com os usuários tradicionais de PC. Só faltava um “algo mais” para que o WindowMaker fosse o ambiente perfeito de desktop para o Linux.



E para isso existia o projeto fundado pela FSF nos anos 90, de portar a API e o ambiente de uso do NextStep/OpenStep, chamado de GNUStep, para GNU/Linux. Pena que nunca foi levado muito a sério pelo seu grande timoneiro. Para falar a verdade, o grande timoneiro caiu na lábia de um mexicano e comprou a idéia de criar o projeto Gnome, para brigar contra o malvado e (até então) proprietário projeto KDE, logo o GNUStep ficou no ostracismo.

O Gnome ou o KDE nunca me interessou e eu fiquei viuvo do meu WindowMaker com o GNUStep. O sonho acabou pra mim e hoje uso o Mac OS X que é a evolução do que comentei. Me falaram que um grupo de franceses continua a tocar o projeto GNUStep, mas a realidade do Linux é o Gnome ou o KDE.

Para mim, ficou a boa lembrança e a saudade do WindowMaker com o Linux, valeu Kojima!
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xv [Jul. 25th, 2010|04:33 pm]
Rudá Moura
O xv de John Bradley foi o melhor software de visualização de imagens que existiu para o Linux nos anos 90 e início dos 2000. Ele era rápido para exibir imagens JPEG , GIF e TIFF. Funcionava puramente com a biblioteca Xlib e não necessitava de Gnome ou KDE para funcionar.



Era de longe melhor que o Image Imagick (da época), só que… Para a agonia dos GNUseiros, era um software shareware :) Pague para usar, com uma peculiaridade interessante: o código fonte era disponível e muitas distribuições da época empacotavam esse cara.



Reza a lenda que em uma das exibições de TV de um dos programas de exploração da NASA, foi possível ver o onipresente xv não registrado! Aliás, não lembro de ter visto alguém registrar uma cópia desse programa. Enfim, em minha opinião o xv é um software venerável.
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WebSites Bonitos [Jul. 24th, 2010|11:36 am]
Rudá Moura
“Beleza é uma questão cultural”, como nos faz acreditar uma interpretação socio-econômica Marxista que aprendemos (ou que aprendi) na escola. O objetivo de escrever esse texto é resultado de uma conversa que tive em uma roda de amigos: quais são os websites bonitos na Internet? Considerando o meu espectro de uso da web e meu perfil, eu elegi três sites que considero bonitos, por fatores que vão da simplicidade visual ao impacto da escolha das informações na tela e por causa de escolha de cores. São eles:


Página de busca do Google


Página de busca do oráculo Wolfram Alpha


Página inicial do Twitter [não a de usuário]

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Quando falhar não é uma opção [Jul. 11th, 2010|11:14 pm]
Rudá Moura
Eu gosto de uma frase de um dos apresentadores do MythBusters, que é “Failure is always an option” (Dar errado é sempre uma opção); no contexto deles, no experimento de idéias malucas e incríveis, em que vários fatores externos contribuem para algo acontecer, é natural pensar que tudo pode dar errado eventualmente.

Dar errado é o que as pessoas adultas e que cuidam de si, ou pelo menos possuem algum grau de responsabilidade, evitam o máximo de acontecer. Geralmente se traça um plano A ideal – e as vezes fantasioso, porque até os chatos responsáveis sonham, mas eventualmente se preparam pro plano B ou até o Z. Eu procuro o máximo e na medida do possível ser responsável comigo, porque eu sei que não tenho suporte se algo der errado.

Por outro lado, existe um outro tipo de gente, que por mais que eu tente pensar agora numa maneira bonita de falar, se resume em: gente sem noção. São as pessoas que por não ter responsabilidade por si, ou por algum motivo outro qualquer que não sei explicar, conseguem ter uma grande liberdade de ação, correm riscos e muitas vezes, quando se dão mal, tem o suporte de alguém responsável pra agüentar o tranco. E pior que, na maioria das vezes, sempre ganham ajuda.

Eu confesso que algumas vezes, passa em minha cabeça querer ser um pouco assim, digamos, “aventureiro”; ou eventualmente querer fazer só as coisas que me dão na cabeça. É aquele espírito impetuoso e livre do adolescente; mas a realidade é que se algo der errado, eu estarei sozinho. Me sentiria mal em depender, de forma cômoda e sem sentimento algum de culpa, da ajuda dos outros, por atos e riscos que eu mesmo procurei correr, por mais que o prêmio fosse grande.

PS: não quis dizer com isso que nunca cometi burradas na vida ou que sou perfeito; e nem estou julgando alguém. É apenas uma auto-afirmação para mim.
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Conectiva Soundtrack [Jul. 11th, 2010|02:11 pm]
Rudá Moura
Mais uma atualização: O Andreas me lembrou que também tocava muito Foo Fighters, tipo Big Me, Everlong, Monkey Wrench, Breakout, My Hero.

Atualização: O Osvaldo Neto lembrou da música do Die Ärzte, chama-se Meine Freunde.

Baixou de novo o saudosismo de Conectiva. Lembrei hoje de nossa época de otimismo, empolgação e vontade de fazer algo diferente com Linux no Brasil, que também era acompanhado por alguma trilha sonora. Eu vou tentar fazer uma “set list” com algumas músicas ou bandas que eu considero emblemáticas em algumas épocas que eu vivi [1999-2001] nessa empresa. Meus amigos talvez lembre de algumas delas ou talvez tenham outras memórias musicais. Essa é a minha:

Lado A

Blink 182 - Pathetic


Dead Fish - Sonho médio


Cólera - Medo


Wizo - Schlechte Laune



Wizo - Anneliese Schmidt


Tequila Baby - Balada Sangrenta


Die Ärzte - Meine Freunde


die Ärzte - ein Lied fur ditch


Foo Fighters - Monkey Wrench


Lado B

Cosmic Baby - Fantasia


The Crystal Method- Name of the Game


RATM - Killing in the Name


Paul van Dyk - For a Angel


Lado G

Baltimora - Tarzan Boy


Erasure - Love to Hate You


Bengaboys - Up & Down


Bengaboys - We're Going to Ibiza!
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Ars longa, vita brevis [Jul. 4th, 2010|04:51 pm]
Rudá Moura
No dia 08 de Julho de 2010 vou completar dois meses de uma cirurgia de remoção do apêndice. Para quem não sabe, eu tive que fazer (ou fizeram em mim) uma cirurgia de emergência. Tudo começou um dia antes, na sexta-feira, com uma dor no abdômen bem incomum, aguda e persistente. Da hora do almoço até as cinco da tarde quando resolvi ir pra casa, ainda estava no trabalho e não sei como pude ficar trabalhando e sentido aquela dor ( sintoma de workaholic?). Fui para casa para descansar e ver se “a dor passava” – e não passava. É nessa hora que liga um aviso interno de que algo está errado, e então fui direto pro hospital aqui perto de casa (Mãe de Deus).

O resumo da história: fizeram o diagnóstico, apalpar a parte baixa à direita do abdômen, ecografia e exame de sangue, o resultado era que estava com apendicite, infecção e precisava operar no dia seguinte. Na hora bate um pânico, um sentimento de não querer aceitar, mas diante de tudo eu simplesmente aceitei como a melhor opção e deixei as coisas irem, afinal de contas, a outra opção é voltar pra casa e morrer de infecção generalizada.



A operação foi bem sucedida, como ainda não havia espalhado pelo abdomen (não suturou / não explodiu / etc.) foi relativamente simples, sem a necessidade de abrir um talho enorme. Eu tenho 3 furos na barriga, aonde os tubos para a operação via câmera foram inseridos. A minha recuperação foi boa, na primeira semana ainda estava dolorido e cansado, a segunda semana já comecei a voltar ao normal. Tive a sorte de contar com a ajuda de bons amigos para me recuperar e me ajudar com o “operacional” aqui em casa. Obrigado do fundo do meu coração por isso.

Mas subitamente esse evento me fez repensar um pouco no estilo de vida que estava levando, em questionar prioridades e no que se consiste viver. Obviamente não cheguei em muitas conclusões, mas refletindo pouco, uma coisa me incomodou: foi ter adotado um estilo de vida que se tornou padrão no Brasil, resultando dos anos de boa economia. É a centralização da vida como consumismo puro, em que o objetivo é ter as coisas (para mostrar aos outros); incluído nisso estão focar carreira, se preparar para o mercado de trabalho, “empoweirar” e “tweakar” a vida para ser competitivo – termos roubados de maneira boba do inglês, para significar o autoaperfeiçoamente exagerado de produtividade e desempenho “na vida e no dia-a-dia”. Acho que o resumo é a ganância de querer ter sempre mais, conquistar mais. É carro do ano, casa nova, móveis novos, TV LCD de 50 polegadas full HD, Playstation 3. Entretenimento em FULL HD e demais coisas de consumo imediato.



Não que eu não queira um carro ou uma casa, ou ter bom entretenimento e conforto. Longe disso, eu gosto de ter e usufruir de objetos e serviços de qualidade, não censuro ninguém por isso – por exemplo, eu adoro os computadores da Apple, que são brinquedos tecnológicos caros e elitizados. O que eu censuro é o consumo desvairado e agressivo da classe média, geralmente causado por “pressão social”, em que as pessoas tem os produtos não para si, mas para mostrar para os outros, para serem aceitos naquele círculo de relacionamento. Desse tipo de estilo de vida, eu quero estar fora.

Fazendo uso de um velho clichê, o mais importante da vida é a tua vida, independente de tudo e qualquer coisa: dos pais, filhos, família, amigos, trabalho, etc.; o instinto de auto-preservação e de procura da felicidade é algo inerente. Em um dos momentos que se antecederam a operação, eu procurei falar com Deus – sim, minha fé tem a ver com o medo da morte – e um dos “pedidos” para querer que tudo corra bem foi de construir uma família. É um desejo genuíno, mas agora eu vejo que é algo bastante fora da minha realidade. Infelizmente eu não posso ter um tipo de relacionamento baseado no estilo de vida em que a maioria das famílias procuram viver; eu posso estar muito mal informado, mas aparentemente esse estilo de vida é conflitante com o que penso agora, e principalmente, com as expectativas das mulheres em relação a ter uma casa e família.

Outro ponto que eu acho importante reafirmar é que o trabalho é importante e gratificante para para vida de uma pessoal. Não importa o tipo de trabalho (físico ou intelectual), ou o que se ganha, mas como tu te sente fazendo e o que obténs em troca (dinheiro, sucesso, reconhecimento) com ele. O que não gosto é da supercentralização da carreira decorrente de nossa vida consumista, ou então quando inconvenientemente, a tua vida privada se mistura muito com a tua vida profissional, e principalmente, do trabalho cego e superfocado que a gente acaba fazendo quando vira um workaholic.



Eu não sei se consigo chegar em alguma conclusão com esse artigo, mas creio que uma das coisas que eu vejo como “antídoto” do que acho ruim no consumismo classe-média atual é a valorização de boas ações e boas amizades, de poder contar com uma boa conversa e companhia de pessoas positivas, criativas, cheias de vontade de querer fazer alguma coisa. Outro ponto que destaco é a valorização de fazer alguma coisa para si, de buscar fazer sempre algo que te agrada (música, leitura, jardinagem, fazer algum projeto em casa). Acho que é importante procurar fazer alguma coisa para o teu círculo de vida ou sociedade, seja uma atividade para o grupo ou alguma atividade possa ajudar outras pessoas.

Eu ainda não consegui chegar nesse estágio de desenvolvimento pessoal, espero sinceramente que um dia eu consiga quebrar um pouco o comodismo e a visão “territorial réptil” que me acompanha. Por fim, já que não chegarei uma conclusão mesmo e o texto virou um tratado de meu moralismo (o que não queria que fosse), o título desse artigo é uma frase do filósofo grego Hipócrates, que eu descobri em alguma leitura qualquer dessa vida; a tradução foi arranjada por mim, então é minha interpretação:


Ars longa, vita brevis, occasio praeceps, experimentum periculosum, iudicium difficile.
A Arte/ofício é longa/dura, a vida é curta, a oportunidade é fugaz, a experiência é perigosa e o julgamento é difícil.
(Hipócrates).


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Retrospectiva 2000-2010 [May. 29th, 2010|10:41 am]
Rudá Moura
Este relato foi inspirado copiosamente em Casa-grande digital: retrospectiva 1997-2007 (blog pessoal do EPX).

O problema de se fazer uma retrospectiva é, descobrir que não se fez muita coisa nesse período, mas tudo bem, vou correr este risco.

Em 2000 o mundo era diferente de hoje… Bom, certamente será assim em 2020 e não é um bom clichê para começar. Falando sério agora, em 2000 a gente vivia em um “boom” de otimismo econômico mundial. E contido neste boom, estava o que se chamou de “Bolha Ponto Com” – o primeiro bolsão de crescimento inflacionário, com dinheiro bombando forte em várias empresas que haviam surgido na emergente Internet.

E eu fiz parte desse contexto, porque trabalhava em uma empresa emergente e promissora “ponto com”, a Conectiva, que fazia o Conetiva Linux. Nessa época, o Linux era um sistema revolucionário que iria dominar todo o mercado de computadores, em servidores, desktops e o mobile; o windows era um produto inferior e fadado ao fracasso. Guardado as devidas proporções,  trabalhar na Conectiva era como estar trabalhando na Netscape, obviamente sem as vantagens de estar na America.

[ NOTA: quem quer conhecer mais sobre essa época de boom e a empresa Netscape, eu recomendo assistir o filme documentário Code Rush de 2000, disponível pra baixar sem violar lei. ]

O ano de 2000 foi o auge dessa bolha, pois eu vi a pequena empresa em que trabalhava, sair de uma casa grande em um bairro do subúrbio de Curitiba,para uma sede em um prédio localizado em um bairro mais legal e também vi o boom de contratações que a empresa teve que fazer, provavelmente por conta do contrato de investimento. E foi assim, do pequeno e aconchegante para o grande e efervescente em menos de um ano.

De 2001 a 2002 bolha estourou, ocorreram ondas de lay-off em todo o lugar, o mercado se encolheu profissionalmente. Eu acabei me aventurando com alguns amigos a abrir uma empresa. Foi uma época que eu me lembro de ter rolado pouca grana no meu bolso, mas de muita empolgação e esperança por dias melhores em outra bolha.

Para mim, o ano de 2003 foi  de aventuras profissionais aleatórias. Por um lado, creio que foi um momento que sinalizou a volta de grana em tecnologia, o que era bom para mim e meus amigos nerds.

Em 2004 a 2005 eu tive uma vida relativamente estável, morando em um lugar confortável, não tinha muitos móveis ou contas pra pagar, não tinha carro, me locomovia com transporte público de qualidade (Curitiba) e andava mais de bicicleta. Por outro lado, profissionalmente estava bastante insatisfeito com o que estava fazendo, me sentia muito limitado. Por outro lado, estava bem a vontade em Curitiba com os amigos e a rotina da cidade. Afinal, foram 8 anos, desde que eu havia saído de Belém, para ter conquistado isso.

Só que o bicho da aventura havia me mordido novamente. Em 2005 para 2006, os amigos que considerava estavam todos empolgados em trabalhar com pesquisa em Linux em um escritório da Nokia, tecnicamente uma fundação que a Nokia criou pra isso. O trabalho era promissor, então eu segui o fluxo das coisas e mudei de cidade e emprego. Fui parar em Recife.

Profissionalmente a experiência foi muito gratificante. Pude ganhar maturidade profissional e principalmente, ter novamente satisfação com o fruto trabalho que que produzia. Mas a verdade é que eu não conseguia me adaptar a vida em Recife. Sempre gostei do estilo de vida “do sul”, e ter ido para Recife e viver o estilo de vida do nordeste foi, de certa forma, um retrocesso para mim.

Um pausa para dizer que os anos de 2005 e 2006 foram “o máx“ da década.

Em 2006 para 2007 fui parar em Porto Alegre (deu pra ti, baixo astral…) trabalhar no Terra. Eu estava superempolgado em poder ter uma vida mais estável (novamente) e poder “elevar a minha carreira profissional” em uma big corporation. Na verdade as nossas expectativas sempre são grandes (do seu lado e do seu contratante) e só o dia a dia é que tu acabas sabendo como as coisas são de verdade.

O fato é que Porto Alegre é uma cidade muito acolhedora e que sempre tive uma vontade de morar.  O povo de Porto Alegre é bem orgulhoso, comprometido com o trabalho, e também são mais soltos e descontraídos, de conversa mais fácil.

Só que 2007 não foi um ano nada bom pra mim, eu tive que me adaptar totalmente a rotina de uma empresa que tem aspectos de big corp. e de empresa “dot com” (descontração, liberdade em acesso, colegas inteligentes). Aliado a problemas pessoais, posso dizer que 2007 foi um vale (profundo) em minha vida.

O ano de 2008 foi mais positivo, foi um ano de reconstrução pessoal e profissional. Financeiramente também foi muito positivo. Fui visitar o meu pai, minha irmã e as duas sobrinhas e também, depois de algum tempo vivendo no Sul, eu pude trazer a mãe para conhecer todos os estados do Sul, SC, PR e RS. Foi muito bom para restaurar minha saúde mental.

Confesso que achei 2009 um ano estranho, até porque em Novembro veio toda aquela carga negativa e pessimista diante da crise que se assolava no mundo, na verdade todo mundo se cagou de medo, enquanto deviam ter aproveitado as oportunidades no Brasil, mas isso é outra história. E olha que o o início de 2009 foi até bom.

Em 2010 o que me marcou foi um evento pessoal, eu tive que fazer uma cirurgia de emergência para remover o apêndice. Estou agora me recuperando e uma experiência dessas, para quem não segue a cartilha de Maquiavel, dispara um “trigger“ de que o que mais falei nessa retrospectiva foi de trabalho e eu preciso continuar para fazer outras coisas.
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Minha pequena história com Apple & Macintoshes [Apr. 19th, 2010|11:52 pm]
Rudá Moura
[Current Location |Brazil, Porto Alegre]


Atualização: Em março de 2010 a história ganhou mais um capítulo, pois adquiri um novo Macintosh, o MacBook Pro Core 2 Duo 2.26 GHz e tela de 13”.
http://www.everymac.com/systems/apple/macbook_pro/stats/macbook-pro-core-2-duo-2.26-aluminum-13-mid-2009-sd-firewire-800-unibody-specs.html

Continuando a série anterior sobre máquinas que tive, vou seguir para os anos 2000 e o presente. Vou pular as máquinas de 8 bits para as de 32 bits, com recursos computacionais e recreativos bem mais interessantes.

Macintosh LC II
Meu primeiro Mac foi um Macintosh LC II, uma desktop com processador Motorola m68k e 16MB de RAM. Essa máquina eu ganhei (1999/2000) como doação (usada) e apresentava um defeito: ela entrava em bootstrap mas o disco não funcionava. Depois de umas dicas do Carlos "Perigote", abrimos o HD e fizemos o disco iniciar com um pequeno “empurrão”. Esse desktop funcionou relativamente bem por um tempo com o Mac OS 8, inclusive rede ethernet e pilha TCP. O nerd factor dessa máquina foi poder bootar o Linux com o intuito de calcular o BogoMips, com o resultado de 3.69.
http://lowendmac.com/lc/macintosh-lc-ii.html.

iMac 266
Comprei um iMac (usado) em 2001, era um daqueles com “design revolucionário”, de cor tangerina. Equipava um saudoso PowerPC G3 @ 266 MHz e Mac OS 8, que depois subi pra versão 9. Foi dai que conheci o iTunes e seu bug pra lá de interessante: eventualmente o sistema travava e mesmo assim o iTunes continuava a tocar MP3, nitidamente o tocador do iTunes vivia em uma thread especial do Mac OS :). Com essa máquina eu pude instalar e conhecer o Mac OS X, aquele em que as listras na interface eram a nova vanguarda. Um dia ele morreu por conta da interface analógica (aquela que controlava o monitor) e vendi para se transformar em um roteador para o Miura.
http://lowendmac.com/imacs/rev-c-imac-g3-266-mhz.html

12" iBook G3/500 (Dual USB)
O meu iBook (2004) foi mais uma máquina que tive e que precisou ser antes ressuscitada das cinzas para que pudesse usar; kudos mais uma vez para o meu Woz local, o Perigote, que conseguiu refazer parte da placa do note, que algum “técnico” cometeu o crime de danificar. Não foi o meu primeiro notebook, pois tive um Toshiba Libretto antes, mas me diverti muito com ele, por poder levá-lo comigo aonde quisesse. Equipado com um Power PC G3 @ 500 Mhz e 256MB de RAM (depois 320 de RAM). Passou a maior parte do tempo rodando o Mac OS X Panther. O Rudix surgiu neste notebook, na qual guardo muitas saudades e respeito (RIP PowerPC G3).
http://lowendmac.com/pb2/12in-ibook-g3-500-mhz.html

Apple MacBook Core Duo 1.83
Em Dezembro de 2006 eu pude comprar o meu primeiro Macintosh, um MacBook todo branco e com o novo processador da Intel, o Core Duo @ 1.83 GHz, que inclusive ainda é o meu notebook e desktop. Fiz alguns upgrades nele, tal como botar 2GB de RAM e troquei o HD original de 60GB por um de 160GB; esse notebook tem um ótimo desempenho para as coisas que faço (basicamente desenvolvimento, música e fotos). Passei por algumas versões de Mac OS X: Tiger, Leopard e agora Snow Leopard, e nesse embalo o Rudix continua sendo desenvolvido nesse bichinho. Por ser um Core Duo, a idade já cai em cima dele, por conta de algumas limitações que me forçam o upgrade (o Snow Leopard também reforça isso) para uma máquina de 64 bits e que suporte novas tecnologias tipo a OpenCL, com uma boa placa de vídeo.
http://www.everymac.com/systems/apple/macbook/stats/macbook_1.83.html
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Minha pequena história com computadores de 8 bits [Dec. 22nd, 2009|09:24 pm]
Rudá Moura
Meu pai não queria me dar um Atari ou Odissey, ele ouviu em algum lugar que um computador seria mais útil, embora ele (e ninguém na época) sabia muito bem porque. Sorte a minha que ele era hobbista de eletrônica e acabou me direcionado nesse caminho.



Prológica CP 200

Este foi o meu primeiro computador de 8 bits, era um micro baseado na linha Sinclair, processador Z80 com 16KB de RAM. Ganhei em meu aniversário de 12 anos (em 1984). Foi emocionante tirar da caixa o aparelho e ligar na TV, mas…

Quando eu liguei na TV e vi um prompt piscando na tela e a máquina não respondia as minhas dúvidas, Oh Decepção! fiquei muito desapontado, mas também foi dai que descobri que um computador pra ser útil precisava ser programado, e isso é (ou era?) muito divertido.

O CP 200 não era muito interessante em si, tu digitavas os programas em BASIC e cada tecla já chamava um comando do BASIC (tipo, P pra PRINT). Lembro de um joguinho em que o desafio era pousar um avião (o símbolo >) em um aeroporto sujo de quadrados verdes, outro jogo mais interessante era um labirinto em baixa resolução em que o objetivo era fugir de um dinossauro, acredite que era emocionante.

Nessa época, os programas eram salvos e carregados para o micro através de uma fita cassate. Havia todo um vocabulário em cima disso (azimute era um termo) e também várias mandingas para que a carga do programa ocorresse sem erros. O som da fita cassete era um barulho agudo que muito lembra o barulho dos modems que a gente depois começou a usar pra acessar BBS.

http://www.mci.org.br/micro/prologica/cp200.html

Prológica CP 300



Foi o primeiro computador "sério" que eu tive, porque era o irmão mais novo do CP 500 (e menos poderoso também). Basicamente uma cópia da linha TRS-80 americana. Foi nesse micro eu consegui sólidos fundamentos em programação BASIC (ou queimei o meu cérebro pra programação) e também aonde dei os meus primeiros passos em assembly de Z-80.

O CP 300 vinha com 64 KB de RAM e 16 KB de ROM, infelizmente não tinha disco rígido e não permitia rodar os aplicativos profissionais do CP 500. Aliás, nessa época o CP 500 era o computador dos sonhos de muita gente.

Dois jogos me trazem saudades até hoje: Dancing Daemon, que era um boneco que dançava ao ritmo de música (tudo programável) e o Robot Attack, um jogo de labirinto que possuía voz… Falava ROBOT ATTACK! no início, incrível pra época.

Outro jogo que gostava demais era o Penetrator, um jogo que só fui ver novamente e igual em diversão com a chegada do Nemesis para MSX.

http://www.mci.org.br/micro/prologica/cp300.html

Prológica CP 400



Meu primeiro micro que exibia cores! Só lembro desse computador mais como uma plataforma de jogos. Guardo com saudades dos joguinhos em cartucho e do joystick analógico, que me permitiu rodar um super simulador de vôo 3D (bom, só em linhas, mas tudo bem). Outro jogo que gostava bastante era o Popeye, tipo um Super Mário da época.

Foi no CP 400 que aprendi assembly de 6809, que era um lance muito, mas muito bizarro, ou seja, totalmente diferente do Z-80. Mas basicamente foi só um videogame pra mim.

http://www.mci.org.br/micro/prologica/cp400.html

Sharp Hot Bit



Cry a little tear… Esse foi o meu último micro de 8 bis e também o melhor de todos eles. Era uma máquina fantástica, em que pude conhecer profundamente os detalhes de hardware e programação, como também me diverti muito com os jogos. Era equipado com um processador Z-80, 64 KB de RAM 32 KB de ROM e 16KB de VRAM mais processador de vídeo, nem o IBM PC tinha isso.

Meu ponto alto nessa época foi escrever (em assembly de Z-80) um programa que sampleava a entrada de áudio e guardava os bits , para poder ser reproduzido novamente no alto-falante. Difícil ter esse nível de conhecimento de máquina que tive com o MSX, cheguei a desassemblar TODA A ROM DO MSX pra saber como funcionava.

Infelizmente não consegui uma coisa com o MSX: desenvolver um FORTH pra substituir o BASIC do MSX, pois nessa época (1990) eu comecei a perder interesse em computadores e programação, e me empolguei em fazer música eletrônica e ter banda.

Os jogos do MSX eram muito legais, os que me marcaram foram: Zanac, Nemesis, Knighmare, Batman, Knight Lore, Metal Gear, sei lá tantos da Konami; sem falar que a parte de áudio do MSX era bem interessante e de certo modo me motivou a ir pra música.

Com o Hot Bit eu pude ter uma unidade de disquete de 3 1/2 e rodar o sistema operacional CP/M. Foi também com o MSX que aprendi uma linguagem de programação mais polida, chamada de Turbo Pascal.

De certo modo, eu até entendo o saudosismo e encontros de usuários de MSX que ocorrem até hoje no Brasil, mas sinceramente, sou muito mais o meu MacBook e tudo o que temos atualmente em informática. Os anos 80 foram só de experimento nerd com computadores.

http://www.mci.org.br/micro/outros/hotbit.html
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